A aula contou com a apresentação do colega Rodrigo Sombra acerca do texto Seppuku! Luther Blissett. A exposição abordou o aparecimento de Blissett - uma espécie de herói popular "invisível" - em cidades européias em meados dos anos 90. A figura de Blissett representa um títere da guerrilha midiática. Ele é um nome que pode ser adotado por qualquer pessoa para penetrar de forma rebelde no interior da cultura mainstream.
A idéia por trás do nome se sustenta na formação de uma mitopoese - na construção de um mito, uma reputação. O mito de Blisset é comparado no texto à figura dos heróis boscarejos, aqueles que se escondem na floresta e desestabilizam o poder opressor, assim como personagens como Robin Hood ou ainda mitos de guerrilha como Che Guevara ou guerrilheiros zapatistas. Outro arquétipo comparado à Blissett é o da figura do estrangeiro que chega a uma localidade dilacerada por conflitos como terreno de trapaça. Neste caso, filmes de Sérgio Leone são lembrados como ilustração.
Blisset representa o fim da crença num príncipe da revolução, como criam muitas correntes socialistas do século XX. Ele tampouco se encasula nas mídias alternativas, na militância underground, querendo irromper para a cultura maisntream.
Além de enumerar alguns exemplos da atuação de Blisset ao desestabilizar os movimentos dos meios de comunicação na Itália, a exposição do tema fez comparações à guerrilha midiática encampada pelo ativismo hippie nos anos 60. Em ambos os casos, a idéia não é recriminar diretamente a mídia, mas apropriar-se de suas próprias armas para golpeá-la. O pressuposto de ação de Blissett é infiltrar-se nos meandros dos meios de comunicação para questionar a ingerência destes em nossas vidas. A idéia de sabotar a mídia surge pelo ímpeto de estabelecer uma relação mais paritária e interativa com os veículos de comunicação.
Ao fim da apresentação, foi citado o Seppuku, o suicídio ritual pelo qual passou Blissett na virada dos anos 00. Antes que fosse assimilado pela cultura massiva, os ativistas por detrás do nome múltiplo preferiram sepulta-lo, sempre acreditando que o espírito rebelde a mover suas ações se perpetuariam de novas formas e através de outras alcunhas.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
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