sábado, 7 de junho de 2008

Firefox esquenta a guerra dos browsers

Neste mês, depois de três anos de desenvolvimento e seis meses de testes públicos, a Mozilla, produtora insurgente de browsers que nasceu das cinzas da Netscape, lançará o Firefox 3.0. O programa oferecerá novos truques que podem mudar a maneira pela qual as pessoas organizam e encontram os sites que costumam visitar mais freqüentemente.

A Microsoft não quer ser superada, e por isso recentemente estreou a primeira versão pública de teste da nova versão do Internet Explorer, utilizado por cerca de 75% dos usuários de computadores, de acordo com a Net Applications, uma empresa que estuda participações de mercado. A versão definitiva do Internet Explorer 8 deve ser lançada até o final do ano, oferecendo recursos adicionais.

Mesmo a Apple, que no passado educadamente mantinha o browser Safari confinado aos seus próprios aparelhos, está tomando uma atitude moderadamente controversa ao oferecê-lo para uso em computadores equipados com o Windows.

Em outras palavras, a guerra dos browsers - confronto que causou problemas para a Microsoft junto às autoridades antitruste, nos anos 90 - está voltando a se aquecer.

"O browser que o consumidor tipicamente utiliza, hoje, não parece muito diferente do que era 10 anos atrás", diz Larry Cheng, sócio da Fidelity Ventures, uma das empresas que investiram na Flock, uma produtora iniciante de browsers. "Essa é uma tendência insustentável, e servirá de ponto de lançamento para uma segunda guerra de browsers, que não será vencida por exibição de músculos monopolistas, e sim pela inovação".

Os browsers sempre foram vistos como cruciais rampas de acesso à web. Mesmo assim, depois de vencer a Netscape, a primeira empresa a desenvolver browsers comercialmente, a Microsoft demorou cinco anos para lançar a versão 6 de seu Internet Explorer, em 2006. Dean Hachamovitch, gerente geral do grupo Internet Explorer na empresa, diz que a companhia se concentrou em consertar os problemas de segurança encontrados, nesse intervalo.

A America Online, que adquiriu a Netscape, estabeleceu a Mozilla Foundation como empresa sem fins lucrativos em 2003. O browser Firefox desenvolvido por ela logo inspirou um movimento rumo aos browsers de fonte aberta, apoiado pelos entusiastas da computação. As primeiras versões do Firefox introduziram recursos como um bloqueador de pop-ups integrado para matar anúncios indesejados e o uso de tabs, que permite que os usuários alternem entre diversas janelas de Web abertas ao mesmo tempo.

O Firefox agora conta com 170 milhões de usuários em todo o mundo, e uma fatia de 18% do mercado de browsers, de acordo com a Net Applications. Isso é especialmente impressionante se consideramos que a maioria de seus usuários teve de optar ativamente por instalar o programa, enquanto o Internet Explorer vem instalado de fábrica na maior parte dos computadores pessoais vendidos.

Além de criar concorrência para a Microsoft, o Firefox também tornou claro ao setor de alta tecnologia o valor financeiro e estratégico dos browsers. Em 2004, o Google fechou acordo com a Mozilla para incluir uma área de busca do Google no canto da tela do browser Firefox. De acordo com os mais recentes documentos tributários da Mozilla, em 2006 o Google pagou US$ 65 milhões ao grupo pelo tráfego resultante em seu serviço de busca.

Com tarefas como o e-mail e o processamento de texto agora migrando do computador para a Internet, analistas e empresas do setor acreditam que o browser deva em breve se tornar ainda mais valioso e estrategicamente importante.

"As pessoas do setor prevêem um momento no qual, para muita gente, a única coisa necessária em um computador será um browser", disse Mitch Kapor, pioneiro do software e hoje membro do conselho da Mozilla Foundation e criador da FoxMarks, uma empresa iniciante que está desenvolvendo uma ferramenta que sincronizaria listas de favoritos entre diferentes computadores. "O browser simplesmente ocupa posição estratégica extraordinária".

Essa idéia ajudou a reanimar as guerras dos browsers e resultou na mais recente onda de inovação. O Firefox 3.0, por exemplo, opera mais de duas vezes mais rápido que a versão anterior, usando menos memória, segundo a Mozilla.

O browser também é mais inteligente e preserva quase três meses da história de navegação do usuário, para tentar prever que site ele possa visitar de novo. Se você digitar a palavra "futebol", por exemplo, ele rapidamente gera uma lista de todos os sites visitados no período que contenham a palavra "futebol" em seus nomes ou suas descrições.

O Internet 8, da Microsoft, também promete alguns truques novos. Uma nova ferramenta permite que o usuário "fatie" um site e faça um bookmark apenas para a parte dinâmica do conteúdo - por exemplo, um site de leilões online ou placares de esporte, salvando-a na margem do browser onde o usuário poderá acompanhar as alterações de conteúdo à medida que acontecem.

Outro novo recurso, chamado "atividades", permitirá que os usuários destaquem texto em uma página, cliquem sobre ele e o enviem imediatamente a outro site, como um serviço de mapas, e-mail ou blogs.

Um outro concorrente que merecerá atenção, o browser Safari, da Apple, hoje detém cerca de 5% do mercado, de acordo com a Net Applications, e subsiste basicamente devido à lealdade dos usuários de Macs e iPhones.

Mas em março a Apple começou a oferecer uma versão do Safari para computadores equipados com o Windows. A tática incomodou até mesmo fãs da Apple, porque o browser está sendo instalado nos computadores de usuários que baixam o software da loja online de música iTunes (quem não desejar o programa, precisa rejeitar a instalação especificamente). No entanto, a iniciativa deu resultado: segundo a Net Applications, a fatia de mercado da Apple nos computadores acionados pelo Windows triplicou, de março para cá.

fonte: http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI2923261-EI4801,00-Firefox+esquenta+a+guerra+dos+browsers.html

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