Resumo sobre a aula de 12 de junho de 2008.
Para a autora, a inclusão digital é um tema controverso, pois não considera que apenas o uso da rede para simples tarefas (ler/enviar e-mails, pagamento de contas etc) seja, de fato, inclusão. Ela defende que a rede deva ser “fonte de transformações socioculturais e artísticas” e que a inclusão deve ser mensurada a a partir de termos qualitativos e não quantitativos.
Hipertrópole digital- consiste “numa mega metrópole onde a virtualidade está tomando o espaço da cidade real”. A hipertrópole é constituída pela Internet e suas interfaces: telefonia celular móvel, wi-fis, lan houses, cibercafés etc. nos quais os verdadeiramente “incluídos” (80% se encontram nos EUA) trocam informações e recriam as relações sociais.
Os telecentros são exemplos de inclusão realizados de maneira quantitativa. A realidade de sua implantação é bastante complexa em países de Terceiro Mundo, visto que sua proposta inicial pode ser desvirtuada por interesses políticos e econômicos, tornando-se um instrumento de pseudo patriotismo e pseudo campanha assistencial.
Impedimentos para inclusão digital – Denize Araújo cita Amadeu Silveira e Marcos Palácios a fim de explicar os motivos que impedem uma efetiva inclusão digital no Brasil. Segundo Silveira, as causas são: a subordinação à dinâmica empresarial do lucro; a exclusão sociocultural; e propostas de inclusão voltadas apenas ao acesso à conexão. Palácios aponta a reduzida presença do português na internet e indica mais três fatores de natureza socioeconômica: o acesso ao computador, acesso a linha telefônica e acesso ao provedor de serviço.
A autora ainda indica outros impedimentos como o conhecimento técnico (mecanismos de digitação), e entendimento pragmático (o que fazer e como fazer) e o posicionamento crítico (inclusão de novos hábitos culturais de leitura, informação e reflexão em que não se encaixam os jogos ou blogs, por exemplo).
“O analfabeto de nosso tempo já não é mais aquele que não sabe ler e escrever, mas sim aquele que não sabe articular um discurso multimidiático pleno” e, neste caso, os impedimentos citados pela autora são potencializadores dessa forma de analfabetismo e, por conseqüência, de exclusão. Segundo Lévy, qualquer sistema de comunicação cria seus excluídos e que com a informática não seria diferente.
Enfim, ela conclui afirmando que é problemático falar em inclusão digital no Brasil, pois somente 14% da população possui acesso a rede e que a implantação de telecentros é uma proposta válida, mas que é preocupante a utilização deles para o abuso de poder sobre minorias.
P.S.: Nesta aula foram exibidos trechos do filme "Quanto vale ou é por quilo" citado por Denize Araújo.
sábado, 14 de junho de 2008
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