segunda-feira, 9 de junho de 2008

Resumo do texto "Cibercultura como território recombinante"

O autor estabelece três princípios básicos que são emissão, conexão e reconfiguração, utilizados para uma melhor compreensão da forma como opera a recombinação dos diversos elementos da cultura contemporânea. A cibercultura é um “território recombinante”, e toda cultura é híbrida. A recombinação de diversos elementos é sempre um traço constitutivo de toda formação cultural, que precisa ser permeável a outras culturas. A cibercultura está inserida neste contexto, e a grande novidade neste tipo de recombinação é a velocidade e o alcance global desse movimento. A cultura pós massiva das redes, em expansão com sites, blogs, Orkut e etc. mostra a recombinação cultural sendo feita em um território eletrônico, numa estrutura midiática ímpar, na qual, qualquer indivíduo pode produzir e publicar informação em tempo real.
As três leis já citadas que norteiam a recombinação estão na base do processo cultural atual da cibercultura. São elas, a liberação do pólo de emissão, o principio da conexão em rede e a conseqüente reconfiguração cultural a partir de novas praticas produtivas e recombinatórias.
O primeiro princípio, o da emissão, está na base de tudo. O diferencial da cultura pós massiva está na liberação do pólo de emissão. Atualmente, o antigo receptor passa a produzir e emitir sua própria informação de forma livre, multimodal e planetária, incluindo a prática de produção de informação a partir de dispositivos móveis. Como exemplo temos os blogs, vídeos, fotos, fóruns, comunidades e outros. Essas práticas refletem a potência represada pelos meios massivos de comunicação que sempre controlaram o pólo da emissão.
O segundo principio, o da conexão, está ligado à emissão, já que não basta emitir sem conectar. È preciso emitir em rede, trocar informações e fazê-las circular. A produção é liberação da emissão e consumo é conexão. A recombinação cibercultural se dá por modulações de informações e por circulação em redes telemáticas. E a internet desde seus primórdios, configura-se como um lugar de conexão e compartilhamento. O princípio da emissão está acoplado assim ao principio de conexão generalizada de troca de informações.
O terceiro princípio baseia-se no fato de que sempre que há emissão livre e conexão, há mudanças, movimento. Daí vem a reconfiguração da indústria cultural massiva e das redes de sociabilidade industrial. No que se refere ás mudanças da indústria cultural massiva, vem despontando a questão da autoria e da proteção de obras para a reprodução, uso e cópia. Há reconfiguração e remediação. Jornais fazem uso de blogs e podcasts, que emulam programas de rádio, que por sua vez editam suas emissões em podcasts. A TV faz referencia à internet, que por sua vez remete à TV. Pode-se dizer que estamos imersos em uma paisagem visual dupla, onde dois sistemas comunicacionais amplos, complementares e às vezes antagônico, coexistem, oferecendo uma maior pluralidade info-comunicacional. A cultura digital pós massiva não representa o fim da indústria massiva. Por sua vez, a indústria massiva não vai absorver e massificar a cultura digital pós-massiva.
Territorios informacionais recombinantes
A idéia de globalização remete à perda de território, apagamento de fronteiras. Na esfera cultural, as fronteiras também tem sido apagadas pelo que se chama de multiculturalismo. Com a cultura digital das mídias pós massivas e principalmente s tecnologias móveis, vemos agravar os processos de desterritorialização, mas ao mesmo tempo criamos novas territorializações.
Os celulares são um fenômeno mundial. A tecnologia de redes permite a criação de pequenos circuitos entre diversos equipamentos, assim como computadores, maquinas fotográficas, palmtops e outras. Essas tecnologias ou mídias locativas estão reconfigurando as práticas sociais e comunicacionais nas cidades contemporâneas a partir de ações que se desenvolvem dentro do que chamamos de territórios informacionais, os quais se caracterizam de maneira diferenciada em relação ao espaço de informação dos meios massivos. Existe hoje, efetivamente na rede, um maior controle sobre o que emitimos e recebemos, diferente da prática de consumo de informação na cultura massiva, na qual existe a possibilidade de controle apenas do que é recebido. E se não há controle total do fluxo informativo, não há território informacional.
Efetivamente, as mídias de massa criam processos desterritorializantes, assim como o ciberespaço, ao permitir o consumo multicultural. Autores consideram o ciberespaço como um espaço ilimitado constituído por redes informacionais planetárias, permitindo a circulação fora de qualquer constrangimento. Contudo, ele é também um espaço institucionalizado, controlado e vigiado, ou seja, um lugar de territorialização. O espaço de fluxo, que é o ciberespaço, não é etéreo, mas está ancorado nos espaços de lugar (lugares físicos). Nesta fusão vemos a constituição dos territórios informacionais.
A TV, jornais, rádios e impresso, são produtos da mídia massiva, erroneamente chamados de meios de comunicação de massa, já que cumprem apenas sua função informativa, sem permitir interação ou processos comunicativos mais profundos. Já a cultura digital pós massiva estabelece processos de mão dupla, aumentando as possibilidades efetivas de ocorrência de fenômenos comunicativas. Ao aumentar as possibilidades de trocas entre consciências (blogs, chats, fóruns...), as mídias massivas aumentam as probabilidades de ocorrência de processos comunicativos, ampliando as formas de recombinação.

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