segunda-feira, 9 de junho de 2008

Hipertexto

O hipertexto é a capacidade dos meios digitais de possibilitar a navegação do usuário através de uma multiplicidade de “fractais” previamente definidos e descentralizados, por meio de sucessivas linkagens, interconectando informações em diversos formatos midiáticos - texto, imagem, áudio e vídeo. Essa estrutura funciona como uma rede cujo eixo se desdobra progressivamente numa variedade de caminhos repletos de ramificações, todas passíveis de serem percorridas pelo leitor ao longo do processo de construção de sentido da narrativa (PALACIOS, 2003).

Enquanto os meios impressos tradicionais dispõem de uma estrutura dominante unilinear, hermética, com linguagem restrita ao texto e à imagem, o hipertexto possibilita a construção de uma rede múltipla de informações, em que predominam a integração das mídias digitais, maior interação na relação leitor-texto e a multilinearidade. Segundo Palacios, a multilinearidade é a capacidade do internauta escolher, dentro de um amplo cenário de possibilidades, os caminhos que julga mais interessante percorrer ao longo da leitura de determinada narrativa. A multilinearidade hipertextual é um processo de permanente construção de leitura nos veículos digitais.

Apesar de ser uma ferramenta associada quase que automaticamente à escrita digital, o hipertexto não foi inaugurado pelos veículos do universo virtual. Escritores como Julio Cortázar e Ítalo Calvino, em suas obras, flertaram com a possibilidade de implementar a técnica em meios impressos tradicionais. Contudo, mesmo não figurando como criadora da linguagem hipertextual, foi somente com o desenvolvimento das tecnologias digitais que o emprego do recurso pode ser potencializado (PALACIOS, 2003). Com a disseminação do seu uso na web, a ferramenta se tornou uma marca nos diferentes sites noticiosos da internet, que variam apenas na intensidade e forma de utilização do recurso.

O hipertexto está diretamente relacionado com uma série de características da revistas digitais. É através deste recurso que o leitor pode usufruir de outras propriedades, como a multimidialidade, a interatividade e a memória. Todas interconectadas, funcionando como um mecanismo de enriquecimento da leitura e do acesso à informações.

Para exemplificar o papel do hipertexto na construção da narrativa jornalística, se poderia imaginar uma matéria hipotética produzida por algum site jornalístico sobre o conflito diplomático entre Colômbia e Equador. A reportagem, além do texto principal e das imagens, traria palavras-chave, frases ou imagens linkadas que direcionariam o leitor a novas informações – um áudio com uma entrevista do embaixador do Equador no Brasil, um vídeo com imagens do território equatoriano bombardeado pelo exército colombiano, o blog de um jornalista que escreveu a respeito do conflito, uma reportagem correlacionada sobre o assunto com outro enfoque, uma matéria antiga que resgate o histórico do conflito e etc.

Referências:

PALACIOS M. Ruptura, Continuidade e Potencialização no Jornalismo Online: o Lugar da Memória. In: MACHADO, Elias & PALACIOS, Marcos (Orgs), Modelos do Jornalismo Digital, Salvador: Editora Calandra, 2003.

PALACIOS M. Hipertexto, Fechamento e o Uso do Conceito de Não-Linearidade Discursiva. In: MACHADO, Elias & PALACIOS, Marcos (Orgs), Modelos do Jornalismo Digital, Salvador: Editora Calandra, 2003.

DÍAZ NOCI, Javier. La escritura digital. Bilbao. Universidad Del País Basco, 2002.

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