A proposta de sites e programas que agoram mostram o conteúdo da internet em três dimensões há tempos deixou de ser novidade. À época, reportada como a nova sensação do mundo web, capaz de elevar a percepção digital a outros patamares, a notícia foi veiculada (ainda no início de abril) pelos principais veículos de comunicação do país.
Entre os seus modelos mais conhecidos estão os programas Spacetime e Piclens, além do site de busca da internet Searchme, que se encontra em fase de testes. O primeiro, instalado em PCs, modifica a maneira como as informações de sites como Google e eBay são visualizadas; o segundo seleciona fotos relacionadas ao tema desejado com base em uma palavra-chave em sites como Google Images, Flickr ou MySpace, apresentando-as em seguida num painel tridimensional.
Já o Searchme propõe mostrar imagens dos sites mais relevantes, em vez de simplesmente apresentar um resumo do que as páginas pesquisadas oferecem.

O principal impacto que essas novidades trazem consigo será, imagino, sobre as ferramentas de busca - pontos de partida para a maior parte das navegações na rede. Elas trazem também implicações mais profundas, especialmente no âmbito acadêmico, no que diz respeito à percepção da espacialidade do ciberespaço, tratada no texto Espaço, ciberespaço, hiperespaço, de Suely Fragoso.
Em seu texto, vê-se que a estrutura e visualização do ciberespaço são norteadas por metáforas que as vinculam ao dito mundo real. De fato, na World Wide Web, é forte a tentativa de se reproduzir ou mesmo criar "mundos virtuais realistas".
Quando se fala em percepção de espaço na Web pelo usuário, é porque este se depara com a relação estabelecida entre as várias páginas deste universo - através de links. Suely Fragoso analisa então que o ciberespaço seria - por emergir das relações estabelecidas entre os vários elementos que o compõem - um espaço do tipo relacional.
No que tange à relações que as diferentes páginas da Web mantém umas com as outras, a autora afirma que aos usuários se permitiria experienciá-las, embora não pudesse visualizá-las - dado o seu caráter bidimensional.
De acordo com a própria: "Pelo menos no atual momento tecnológico apenas uma única 'página' pode ser enunciada por vez na tela [...] dos microcomputadores pessoais".
Como se pode perceber, com esses novos modelos de busca e pesquisa, o texto já carece de uma revisão adequada...
Um comentário:
de fato, Sylvio, aquela minha afirmação está datada. É isso que dá a gente escrever sobre essas tecnologias que não param de avançar... :)
Teu post me lembrou também da versão nova do Xanadu (XanaduSpace, http://www.xanadu.net/) e me fez pensar que cada vez mais precisamos de modos de visualização que também sejam em 3D. Perdemos muito com o achatamento na tela.
Postar um comentário