CIBERCULTURA.
Alguns pontos para compreender a nossa época
(André Lemos)
Introdução
O ensaio visa discutir as relações entre as novas tecnologias de informação e comunicação e a cultura contemporânea dentro da área de estudos que vem sendo chamada de cibercultura.
Cibercultura Definição
Podemos compreender a cibercultura como a forma sociocultural que emerge da relação simbiótica entre a sociedade, a cultura e as novas tecnologias de base micro-eletrônica que surgiram com a convergência das telecomunicações com a informática na década de 70. Ela é a cultura contemporânea marcada pelas tecnologias digitais e nós já a vivenciamos. É a representação da cultura contemporânea, sendo consequência direta da evolução da cultura técnica moderna.
O Imaginário da época
O autor afirma que deve-se evitar determinismos que estão presentes tanto nos que enxergam as mazelas quanto nos que constatam as maravilhas das novas tecnologias. O que importa é evitar uma visão de futuro que seja utópica ou distópica e nos concentrar-nos em uma fenomenologia do social, ou seja, nas diversas potencialidades e negatividades das tecnologias contemporâneas.
As Origens
A cibercultura nasce no desdobramento da relação da tecnologia com a modernidade que se caracterizou pela dominação, através do projeto racionalista-iluminista, da natureza e do outro. A partir da década de sessenta, a emergência de novas formas de sociabilidade vão dar outros rumos ao desenvolvimento tecnológico, transformando, desviando e criando relações inusitadas do homem com as tecnologias de comunicação e informação. Ao atingir a esfera da comunicação, as tecnologias agem liberando-nos dos diversos constrangimentos espaços-temporais. Assim, a convergência da informática com as telecomunicações vai dar origem a sociedade da informação.
A nova configuração espaço-temporal
Cada transformação midiática altera nossa percepção espaço temporal, chegando na contemporaneidade a vivenciarmos uma sensação de tempo real e de abolição do espaço físico-geográfico. Entramos assim em uma sociedade WYSIWIG (o que vejo é o que tenho) onde a nova economia dos cliques passa a ser vital para os destinos da cibercultura: até onde devemos clicar participar, opinar e até quando devo contemplar, ouvir e simplesmente absorver? Na cibercultura podemos estar aqui e agir a distância, ela nos permite a ampliação das formas de ação e comunicação sobre o mundo.
A nova estrutura técnica e contemporânea
A nova dinâmica técnico-social da cibercultura permite, pela primeira vez, que qualquer indivíduo passa, a priori, emitir e receber informação em tempo real, sob diversos formatos e modulações para qualquer lugar do planeta. A passagem do PC ao CC (computador conectado) será prenhe de consequencias para as novas formas de relação social, bem como para as novas modalidades de comércio, entretenimento, trabalho, educação, etc. Dessa maneira nos inserimos em meio à era da conexão generalizada, do tudo em rede, primeiramente fixa e agora cada vez mais móvel.
Ampliação do Fênomeno
Apesar de os diversos fenômenos da cibercultura terem sofrido um crescimento em virtude do aumento do número de pessoas com poder de acesso à era da conexão, o fenômeno ainda é minoritário (Lévy, 1997). Não há mídia totalmente democrática e universal (a mídia impressa é lida por uma minoria e metade da população mundial nunca utilizou telefone). Devemos assim lutar para garantir o acesso a todos, condição essa fundamental para que haja uma verdadeira apropriação social das novas tecnologias de comunicação e informação.
Metáforas
As metáforas nos levam para um entendimento analógico do mundo digital, agem como formas de compreensão do nosso tempo, mas ainda assim são metáforas (Johnson, 2001). É preciso um esforço conceitual para delimitarmos melhor o campo e vislumbrarmos as verdadeiras consequências da cibercultura. A novidade do fenômeno nos traz o desafio de delimitarmos melhor os conceitos para podermos vislumbrar as diferenças e similitudes com fenômenos técnico-midiáticos anteriores.
A cibercultura no cotidiano. As novas práticas comunicacionais
As práticas comunicacionais da cibercultura são inúmeras e algumas verdadeiramente inéditas. Podemos elencar a utilização do e-mail, os chats, os muds, as lans houses, as listas de discussão livres e temáticas, os weblogs, além das formas tradicionais de comunicação que são ampliadas, transformadas e reconfiguradas, como é o caso do jornalismo online, das rádios online, das TVs online, das revistas e diversos sites de informação espalhados pelo mundo. A internet por exemplo, é um ambiente, uma incubadora de instrumentos de comunicação e não uma mídia de massa, no sentido corrente do termo.
A cibercultura no cotidiano. As novas relações socias eletrônicas
A cibercultura é recheada de novas maneiras de se relacionar com o outro e com o mundo. As relações online são diferentes das relações de proximidade tipo face a face, mas essas guardam aproximações com o espaço das teatralizações quotidianas. Constata-se que hoje, o maior uso da internet é para busca afetiva de conexão social. As práticas comunicacionais pessoais atuais da cibercultura mostram a pregnância social para além da assepsia ou simples robotização.
As questões artísticas. A arte eletrônica.
Artistas utilizam efetivamente as novas tecnologias, como os computadores e as redes de telecomunicação, criando uma arte aberta, rizomática e interativa. A arte na cibercultura vai abusar da interatividade,das possibilidades hipertextuais, das colagens de informações, dos processos fractais e complexos, da não linearidade do discurso...A arte passa a reivindicar, mais do que antes, a idéia de rede, de conexão, transformando-se em uma arte da comunicação eletrônica.
O cyborg
Após a colonização externa do mundo pelas tecnologias industriais e informacionais é agora o corpo que se transforma em objeto de intervenção. O corpo da cibercultura é um corpo ampliado, transformado e refuncionalizado a partir das possibilidades técnicas de introdução de micro-máquinas que podem auxiliar as diversas funções do organismo. Assim, próteses nanotecnológicas regidas pelas tecnologias digitais podem ampliar e reformular funções ortopédicas, visuais, cardíacas, entre outras.
Alguns pontos para compreender a nossa época
(André Lemos)
Introdução
O ensaio visa discutir as relações entre as novas tecnologias de informação e comunicação e a cultura contemporânea dentro da área de estudos que vem sendo chamada de cibercultura.
Cibercultura Definição
Podemos compreender a cibercultura como a forma sociocultural que emerge da relação simbiótica entre a sociedade, a cultura e as novas tecnologias de base micro-eletrônica que surgiram com a convergência das telecomunicações com a informática na década de 70. Ela é a cultura contemporânea marcada pelas tecnologias digitais e nós já a vivenciamos. É a representação da cultura contemporânea, sendo consequência direta da evolução da cultura técnica moderna.
O Imaginário da época
O autor afirma que deve-se evitar determinismos que estão presentes tanto nos que enxergam as mazelas quanto nos que constatam as maravilhas das novas tecnologias. O que importa é evitar uma visão de futuro que seja utópica ou distópica e nos concentrar-nos em uma fenomenologia do social, ou seja, nas diversas potencialidades e negatividades das tecnologias contemporâneas.
As Origens
A cibercultura nasce no desdobramento da relação da tecnologia com a modernidade que se caracterizou pela dominação, através do projeto racionalista-iluminista, da natureza e do outro. A partir da década de sessenta, a emergência de novas formas de sociabilidade vão dar outros rumos ao desenvolvimento tecnológico, transformando, desviando e criando relações inusitadas do homem com as tecnologias de comunicação e informação. Ao atingir a esfera da comunicação, as tecnologias agem liberando-nos dos diversos constrangimentos espaços-temporais. Assim, a convergência da informática com as telecomunicações vai dar origem a sociedade da informação.
A nova configuração espaço-temporal
Cada transformação midiática altera nossa percepção espaço temporal, chegando na contemporaneidade a vivenciarmos uma sensação de tempo real e de abolição do espaço físico-geográfico. Entramos assim em uma sociedade WYSIWIG (o que vejo é o que tenho) onde a nova economia dos cliques passa a ser vital para os destinos da cibercultura: até onde devemos clicar participar, opinar e até quando devo contemplar, ouvir e simplesmente absorver? Na cibercultura podemos estar aqui e agir a distância, ela nos permite a ampliação das formas de ação e comunicação sobre o mundo.
A nova estrutura técnica e contemporânea
A nova dinâmica técnico-social da cibercultura permite, pela primeira vez, que qualquer indivíduo passa, a priori, emitir e receber informação em tempo real, sob diversos formatos e modulações para qualquer lugar do planeta. A passagem do PC ao CC (computador conectado) será prenhe de consequencias para as novas formas de relação social, bem como para as novas modalidades de comércio, entretenimento, trabalho, educação, etc. Dessa maneira nos inserimos em meio à era da conexão generalizada, do tudo em rede, primeiramente fixa e agora cada vez mais móvel.
Ampliação do Fênomeno
Apesar de os diversos fenômenos da cibercultura terem sofrido um crescimento em virtude do aumento do número de pessoas com poder de acesso à era da conexão, o fenômeno ainda é minoritário (Lévy, 1997). Não há mídia totalmente democrática e universal (a mídia impressa é lida por uma minoria e metade da população mundial nunca utilizou telefone). Devemos assim lutar para garantir o acesso a todos, condição essa fundamental para que haja uma verdadeira apropriação social das novas tecnologias de comunicação e informação.
Metáforas
As metáforas nos levam para um entendimento analógico do mundo digital, agem como formas de compreensão do nosso tempo, mas ainda assim são metáforas (Johnson, 2001). É preciso um esforço conceitual para delimitarmos melhor o campo e vislumbrarmos as verdadeiras consequências da cibercultura. A novidade do fenômeno nos traz o desafio de delimitarmos melhor os conceitos para podermos vislumbrar as diferenças e similitudes com fenômenos técnico-midiáticos anteriores.
A cibercultura no cotidiano. As novas práticas comunicacionais
As práticas comunicacionais da cibercultura são inúmeras e algumas verdadeiramente inéditas. Podemos elencar a utilização do e-mail, os chats, os muds, as lans houses, as listas de discussão livres e temáticas, os weblogs, além das formas tradicionais de comunicação que são ampliadas, transformadas e reconfiguradas, como é o caso do jornalismo online, das rádios online, das TVs online, das revistas e diversos sites de informação espalhados pelo mundo. A internet por exemplo, é um ambiente, uma incubadora de instrumentos de comunicação e não uma mídia de massa, no sentido corrente do termo.
A cibercultura no cotidiano. As novas relações socias eletrônicas
A cibercultura é recheada de novas maneiras de se relacionar com o outro e com o mundo. As relações online são diferentes das relações de proximidade tipo face a face, mas essas guardam aproximações com o espaço das teatralizações quotidianas. Constata-se que hoje, o maior uso da internet é para busca afetiva de conexão social. As práticas comunicacionais pessoais atuais da cibercultura mostram a pregnância social para além da assepsia ou simples robotização.
As questões artísticas. A arte eletrônica.
Artistas utilizam efetivamente as novas tecnologias, como os computadores e as redes de telecomunicação, criando uma arte aberta, rizomática e interativa. A arte na cibercultura vai abusar da interatividade,das possibilidades hipertextuais, das colagens de informações, dos processos fractais e complexos, da não linearidade do discurso...A arte passa a reivindicar, mais do que antes, a idéia de rede, de conexão, transformando-se em uma arte da comunicação eletrônica.
O cyborg
Após a colonização externa do mundo pelas tecnologias industriais e informacionais é agora o corpo que se transforma em objeto de intervenção. O corpo da cibercultura é um corpo ampliado, transformado e refuncionalizado a partir das possibilidades técnicas de introdução de micro-máquinas que podem auxiliar as diversas funções do organismo. Assim, próteses nanotecnológicas regidas pelas tecnologias digitais podem ampliar e reformular funções ortopédicas, visuais, cardíacas, entre outras.
Questões políticas da cibercultura
Diversas formas de controle estão hoje em voga de forma a nos vigiar de maneira quase imperceptível, instaurando um verdadeiro panopticom eletrônico. Várias formas de ação política são atualmente praticadas tendo como objetivo alertar a população e impedir ações que atingem a liberdade de expressão e a vida privada.
A emergência de cibercidades
A cibercultura instaura um espaço de fluxos planetários de informações binárias que trazem à tona uma nova problematização dos espaços de lugar nas cidades contemporâneas. Estas por sua vez já estão sob o signo do digital e basta olharmos à nossa volta para constatarmos celulares, palms, internet banda larga, etc. Já vivemos na cibercidade, trazendo novas questões na intersecção entre o lugar e o fluxo. O que é o espaço urbano hoje, onde estar perto não é estar no mesmo lugar?O que é o lugar quando temos possibilidade de teletrabalho, tele-estudo, telemedicina? O “tele” mata o “topus”, mas traz, paradoxalmente, em seu bojo a necessidade de vivência em espaços concretos.
Leis da Cibercultura
Seriam elas, a lei de Reconfiguração onde em várias expressões da cibercultura trata-se de reconfigurar práticas, modalidades midiáticas, espaços, sem a substituição de seus respectivos antecedentes. A segunda lei seria a de Liberação do pólo de emissão, que está presente nas novas formas de relacionamento social, de disponibilização da informação e na opinião e movimentação social da rede. Já a lei da Conectividade generalizada que começa com a transformação do PC em CC, e desse em CC móvel. A conectividade generalizada põe em contato direto homens e homens, homens e máquinas, mas também máquinas e máquinas que passam a trocar informação de forma autônoma e independente.
Para sair do século XXI
O nosso futuro do presente é mais humano do que o futuro do passado pensado pelas utopias e distopias do século XX. Devemos tentar compreender a vida como ela é e buscar compreender e nos apoderar dos meios sócio-técnicos da cibercultura.Ainda há vida para além da artificialização total do mundo.O fenômeno ainda está em sua pré-história e esse objetivo dinâmico se transformará com certeza. O nosso presente é imune às assepcias e controles generalizados. Há ainda vida na técnica e não o deserto técnico do real.
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